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sábado, 30 de janeiro de 2010

Crônica: Amor nos tempos de Engov

 As pessoas ficam engraçadas quando se apaixonam. Vide o olhar perdido no horizonte, o sorriso bobo e a áurea de encantamento que acompanha os passos da vítima. O amor é uma lente que distorce o senso estético da realidade. O sujeito, tão másculo e viril nas rodas de bar, vira bombonzinho, xuxuzinho... E quem antes nem tomava banho, começa a nadar em perfume. Devo dizer, os sintomas extrapolam a esfera do sentimentalismo, mas as palpitações e suores noturnos não são exclusividades da extensão corporal dos danos. Nem toda emoção é feita de lágrimas e tremores. Eu, por exemplo, vomito. Há quem diga que isso é nojento. Eu não acho. É romantismo, puro e digerido!

  Confesso, é meio incômodo esse pequeno desarranjo estomacal. Uma ligação inesperada, ou até mesmo um encontro fortuito, e lá estou eu. Vomitando até as tripas. Não é bonito nem agradável. O grande amor da sua vida ali parado na sua frente, e tudo que você consegue é agarrar o vaso sanitário. Deplorável, eu sei. Pior ainda é ter que explicar para a mamãe que não, eu não preciso ir ao hospital. As más línguas, então, adoram explicar os meus ataques: Bebedeira ou bulimia. Se eu falar que é amor, vira loucura.


              Quisera eu ser uma mulher normal, do tipo que chora. Mas não lamento a excentricidade. É bem mais bonito e poético amar desse jeito. Nada posso fazer se minhas ânsias são tão fortes quanto literais. E quão romântico é pensar, no final: Jamais vomitei por alguém assim.




  Fabiane Guimarães

sábado, 26 de dezembro de 2009

Mensagem de fim de ano


Dizem que começo de ano é página em branco, hora de deixar para trás os rabiscos sem propósito e as anotações de rodapé. A gente espera que, dessa vez, a história não tropece em pontos finais inesperados, nem que escorra por margens malfeitas. Inútil pedir tanto da vida, por si só um livro traiçoeiro, do tipo que acaba pelas metades. Mas as linhas estão ali, vazias e firmes, esperando por novidades. A arte de reinventar o mesmo.

Um conselho? Não faça promessas. Todos ficamos muito chateados quando você não as cumpre. Tenha objetivos. Promessas são vagas, objetivos são claros, embora ambos esbarrem em contratempos. Não espere o fim de ano para reconstruir a vida, se todo parágrafo também é um recomeço.
Sempre enxerguei o tempo como um artista de rua dissimulado. Passa pela gente devagarzinho, carregando consigo sofrimento, amores e juventude. Mas ultimamente o malabar traiçoeiro tem sido cruel. O tempo cansou de dançar, virou trapezista e alçou vôo. Parece que o mundo tem pressa de acabar. Mas não adianta querer engolir as vírgulas, massacrar a paciência. Quem não sabe esperar um desfecho não pode ser protagonista até o fim.





É difícil desbravar o novo quando sabemos uma porção de coisas a seu respeito. Que vamos perder muito, decepcionar-nos como sempre. As esquinas da vida escondem muitas surpresas, e nem todas são agradáveis. Mas, quem encontrou a si mesmo, pode achar qualquer saída. É tempo de preencher as lacunas da ausência, fazer um novo começo. A próxima chance pode ser a última.

Que as linhas de 2010 revelem, neste soneto do cotidiano, grandes poetas da determinação!
Por Fabiane Guimarães

Feliz Ano Novo!